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Lesão SLAP: por que o diagnóstico ainda é um desafio na prática clínica?

Lesão SLAP: por que o diagnóstico ainda é um desafio na prática clínica?

A lesão SLAP (Superior Labrum Anterior to Posterior) é uma das condições mais complexas relacionadas ao ombro, especialmente no contexto esportivo e em pacientes com dor persistente sem causa evidente. Caracterizada por uma lesão no lábio superior da glenoide, onde se insere o tendão da cabeça longa do bíceps, essa alteração pode comprometer a estabilidade e a função da articulação.

O principal desafio no diagnóstico da lesão SLAP está na sua apresentação clínica pouco específica. Os sintomas costumam incluir dor profunda no ombro, sensação de estalido, desconforto em movimentos acima da cabeça e queda de desempenho funcional, sinais que também estão presentes em diversas outras patologias do ombro.

Além disso, o exame físico pode ser inconclusivo. Existem testes clínicos descritos para suspeita de lesão SLAP, mas nenhum deles apresenta sensibilidade e especificidade suficientes quando utilizado de forma isolada. Por isso, a interpretação deve ser sempre combinada com a história clínica e o contexto do paciente, especialmente em atletas que realizam movimentos repetitivos acima da linha do ombro.

Os exames de imagem também apresentam limitações. A ressonância magnética, especialmente com contraste intra-articular (artro-ressonância), pode auxiliar na identificação da lesão, mas ainda assim há possibilidade de falsos positivos ou negativos, principalmente em pacientes mais jovens ou com alterações degenerativas associadas.

Outro fator que contribui para a complexidade diagnóstica é a alta frequência de achados assintomáticos. Em alguns casos, alterações compatíveis com lesão SLAP podem ser identificadas em exames de imagem sem que o paciente apresente sintomas, o que reforça a necessidade de correlação clínica criteriosa antes de definir qualquer conduta.

Diante desse cenário, o diagnóstico da lesão SLAP exige uma abordagem cuidadosa e individualizada, baseada na integração entre avaliação clínica detalhada, exames complementares e análise funcional do paciente.

O entendimento dessas limitações é fundamental para evitar diagnósticos equivocados e indicar o tratamento mais adequado, que pode variar desde medidas conservadoras até intervenção cirúrgica em casos selecionados.